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RedaçãoPasso a passo

Como fazer a introdução da redação sem enrolar

A introdução da redação precisa contextualizar o tema em uma ou duas frases e terminar com uma tese clara que anuncie os dois argumentos do desenvolvimento.

Por Marcelo MoreiraPublicado em 28 de setembro de 20265 minutos de leitura
Foto: Unsplash
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Em resumo
  • A introdução tem duas partes: contextualizar o tema em uma ou duas frases e fechar com uma tese que já anuncia os argumentos.
  • Contextualização não é repetir o comando da prova com outras palavras; é situar o problema antes de opinar sobre ele.
  • Uma tese vaga ("é um problema grave") custa pontos na Competência 3 porque não dá ao leitor o que esperar do texto.
A introdução da redação tem duas tarefas: situar o tema em uma ou duas frases de contexto e fechar com uma tese, a frase que diz o que você vai defender e, de preferência, já anuncia os dois argumentos que vêm no desenvolvimento. Sem tese clara, o resto do texto perde direção, porque o leitor não sabe o que esperar de cada parágrafo.

Isso vale tanto para o Enem quanto para a maioria das provas de redação de vestibular e concurso que pedem texto dissertativo-argumentativo. A estrutura completa do texto, incluindo desenvolvimento e conclusão, está em estrutura da redação dissertativa-argumentativa; aqui o foco é só no primeiro parágrafo, que decide como o avaliador lê o resto.

Contextualização: situar o tema sem repetir o comando

Contextualizar não é reescrever a frase-tema da prova com sinônimos. É trazer um fato, um dado ou uma referência histórica que situe o problema antes de você opinar sobre ele. Um jeito simples: comece de um ponto mais amplo que o tema (um contexto histórico, um princípio, um dado) e vá estreitando até chegar exatamente no recorte da proposta.

  • Contexto histórico: cite um marco ou período que ajuda a entender por que o problema existe hoje.
  • Contexto de direito ou princípio: mencione um direito previsto (na Constituição, numa lei, num tratado) que o problema do tema contraria na prática.
  • Contexto de repertório: uma referência cultural ou de área de estudo que introduz o assunto sem repetir o enunciado.

Como escrever uma tese que não seja vaga

A tese é a frase final da introdução, e ela precisa fazer duas coisas: dizer sua posição sobre o problema e, de preferência, indicar por quais ângulos você vai defendê-la. "A desigualdade no acesso à saúde mental é um problema grave no Brasil" não é tese, é constatação; qualquer pessoa concorda e nada foi dito sobre o que o texto vai argumentar. Uma tese funcional aponta causa ou consequência: "A desigualdade no acesso à saúde mental no Brasil se sustenta pela falta de profissionais no interior e pelo estigma que ainda associa transtorno mental a fraqueza pessoal." Essa frase já entrega ao leitor os dois parágrafos de desenvolvimento que vêm a seguir. O material de apoio do Inep sobre a Competência 3 chama isso de projeto de texto: a partir do nível 2 da escala, a redação já precisa mostrar que sabe onde quer chegar desde a introdução.

Dois modelos de abertura que funcionam

Não existe fórmula única, mas dois modelos cobrem a maioria dos temas de redação argumentativa e evitam a introdução genérica.

ModeloComo montaQuando usar
Do geral para o específicoFrase de contexto amplo (histórico, direito ou dado) + frase que estreita para o recorte exato do tema + teseTemas sobre direitos, cidadania e desigualdade, onde há um marco histórico ou legal claro
Repertório de aberturaReferência cultural, literária ou de área de estudo relacionada ao tema + frase que conecta ao problema + teseTemas mais abstratos ou comportamentais, onde não há um marco histórico óbvio

Exemplo comentado, frase por frase

Imagine o tema "desafios do uso de dados pessoais no ambiente digital". Uma introdução no modelo do geral para o específico poderia ser: "A ideia de privacidade nasceu num mundo sem redes sociais, quando os dados de uma pessoa se limitavam a documentos físicos guardados por instituições específicas. Hoje, cada interação online gera informação armazenada e usada por empresas para prever comportamento, muitas vezes sem que o usuário saiba com clareza o que foi coletado. Esse descompasso entre a velocidade da coleta de dados e a lentidão da regulação e da educação digital explica por que o controle sobre a própria informação pessoal se tornou um desafio no Brasil."

Note a função de cada frase: a primeira contextualiza (antes x agora), a segunda descreve o problema atual, a terceira é a tese e já anuncia dois ângulos, descompasso regulatório e falta de educação digital, que se tornam os dois parágrafos de desenvolvimento. Isso não é o único jeito certo de abrir esse tema, mas mostra a lógica: cada frase empurra a seguinte.

Erros que travam a introdução

  • Abrir com uma pergunta retórica ("Será que a sociedade está preparada?") em vez de uma afirmação; a banca não pontua pergunta como tese.
  • Repetir o enunciado da prova quase palavra por palavra na contextualização.
  • Fechar a introdução sem tese, deixando a opinião só implícita.
  • Prometer três ou quatro argumentos na tese e desenvolver só um; a introdução precisa combinar com o que vem depois.

Antes de seguir para o desenvolvimento, confira a introdução

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Repertório sociocultural também entra na contextualização com frequência, mas só some pontos se estiver ligado ao argumento, não jogado de forma solta; o critério completo está em repertório sociocultural: como montar e usar na redação. Depois de fechar a tese, o próximo parágrafo já entra direto no primeiro argumento, sem outra frase de transição genérica.

Perguntas frequentes

Quantas linhas deve ter a introdução da redação?
Entre 4 e 6 linhas, na maioria dos casos, para um texto de 25 a 30 linhas no total. Introdução maior do que isso costuma tirar espaço do desenvolvimento, onde a argumentação de fato é avaliada.
A tese precisa vir sempre na última frase da introdução?
Não é obrigatório, mas é o mais seguro para quem está treinando, porque garante que a tese não se perca no meio do parágrafo. Depois de dominar a estrutura, dá para variar a posição da tese sem perder clareza.
Posso começar a redação com uma citação de autor?
Pode, se a citação for pertinente ao tema e você conseguir conectá-la à tese na frase seguinte. O risco é citar errado ou usar uma frase que não tem relação direta com o recorte exato do tema.
O que fazer se não sei nenhum repertório para abrir o tema?
Abra com um contexto mais simples, baseado em observação lógica do próprio tema, sem inventar dado ou nome de autor. Uma introdução sem repertório, mas com tese clara, vale mais do que uma com repertório errado ou forçado.

A frase de transição para o primeiro parágrafo

A última frase da introdução não precisa de um conectivo chamativo para emendar no desenvolvimento; um bom encadeamento de ideias já basta. Se você trava nessa costura entre parágrafos, vale revisar o uso de conectivos para redação antes de treinar a introdução inteira, porque boa parte da sensação de "texto engessado" vem do conectivo errado logo na virada de parágrafo.

Treine a introdução separada do resto do texto: pegue cinco temas antigos, escreva só a contextualização e a tese de cada um, sem seguir para o desenvolvimento, e leia em voz alta. Se a tese não deixa claro o que vem a seguir, reescreva antes de partir para o texto completo.

Marcelo Moreira

Fundador do GaussEdu

Fundador do GaussEdu. Escreve sobre método de estudo, rotina e preparação para o ENEM, vestibulares, escolas militares e concursos públicos.

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