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RedaçãoGuia prático

As 5 competências da redação do Enem explicadas

A redação do Enem vale até 1.000 pontos, divididos em 5 competências de 0 a 200 cada, e cada uma cobra um erro diferente de quem escreve.

Por Marcelo MoreiraPublicado em 28 de setembro de 20265 minutos de leitura
Foto: Unsplash
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Em resumo
  • São 5 competências, cada uma valendo de 0 a 200 pontos, somando até 1.000 pontos na redação.
  • Cada competência cobra um erro específico: gramática, entendimento do tema, organização, coesão ou proposta de intervenção.
  • A cartilha do Inep para 2026 alerta contra "repertório de bolso": citação genérica, sem ligação real com o tema, pesa contra a Competência II.
A redação do Enem é avaliada em 5 competências, cada uma valendo de 0 a 200 pontos, o que soma até 1.000 pontos por corretor. Elas cobram coisas diferentes: domínio da escrita formal, entendimento do tema, organização dos argumentos, coesão entre as partes do texto e a proposta de intervenção no último parágrafo.

Cada redação é corrigida por dois avaliadores, de forma independente, e a nota final é a média entre eles. Segundo a cartilha do participante publicada pelo Inep, essa matriz de 5 competências é a mesma desde 2009 e vale também para o Enem 2026. Entender o que cada uma cobra, separadamente, é mais útil do que tentar escrever "bonito" de forma genérica.

Competência I: domínio da escrita formal

Essa competência avalia ortografia, acentuação, concordância, pontuação e uso de vocabulário adequado ao registro formal. Não é sobre escrever difícil, é sobre escrever sem erro que atrapalhe a leitura. Erro de concordância verbal ("os problema persiste"), vírgula separando sujeito do verbo, ou uso de gíria e linguagem de internet tiram ponto direto aqui, mesmo que o argumento do parágrafo esteja correto.

Imagine um trecho assim: "A situação da mobilidade urbana no brasil é preocupante, pois as pessoas não tem acesso a transporte de qualidade." O "b" minúsculo em Brasil e a concordância errada em "as pessoas não tem" (o correto é "têm") são exatamente o tipo de deslize que essa competência penaliza, mesmo com a ideia clara.

Competência II: entender o tema e desenvolver o texto

Aqui entra a compreensão da proposta e a aplicação de conceitos de várias áreas do conhecimento para desenvolver o tema dentro da estrutura dissertativo-argumentativa. É nessa competência que entra também o uso do repertório sociocultural: dado, referência histórica, citação de autor, lei, mas usado com ligação real ao argumento, não jogado na frase para preencher espaço.

A cartilha do Inep para 2026 chama atenção justamente para esse ponto: cita o risco do que chama de "repertório de bolso", referência pronta e memorizada usada de forma genérica, sem conexão real com o tema proposto. Se o tema fosse, por exemplo, sobre acesso à leitura no Brasil, citar um filósofo grego sem explicar a ligação direta com esse problema específico cai nesse erro.

Competência III: organizar os argumentos

Essa competência avalia se você seleciona, relaciona, organiza e interpreta informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista, dentro da estrutura do texto dissertativo-argumentativo. O erro mais comum aqui é misturar dois argumentos diferentes no mesmo parágrafo, ou repetir a mesma ideia com palavras diferentes em parágrafos separados, sem avançar o raciocínio. Cada parágrafo de desenvolvimento precisa defender uma ideia própria, ligada à tese, sem se sobrepor ao parágrafo anterior.

Competência IV: coesão entre as partes do texto

Aqui entram os conectivos, operadores argumentativos e elementos que ligam frases e parágrafos: "além disso", "por outro lado", "nesse sentido", pronomes que retomam algo já dito. Um texto pode ter argumento bom e ainda perder ponto aqui se os parágrafos parecerem blocos isolados, sem transição que amarre um ao outro. Repetir sempre o mesmo conectivo ("além disso" em todo parágrafo) também pesa contra essa competência, porque mostra repertório linguístico limitado.

Competência V: a proposta de intervenção

A última competência avalia a proposta de intervenção para o problema discutido no texto, com ação, agente responsável, meio de execução e efeito pretendido, sempre respeitando os direitos humanos. É a competência mais fácil de perder pontos por pressa, porque fica no último parágrafo, quando o tempo de prova já está apertado. O funcionamento completo, com os cinco elementos exigidos, está detalhado em proposta de intervenção.

CompetênciaO que avaliaErro comum que tira ponto
IDomínio da escrita formalErro de concordância, pontuação, gíria
IICompreensão do tema e repertórioFugir do tema, repertório genérico sem ligação
IIIOrganização dos argumentosMisturar dois argumentos no mesmo parágrafo
IVCoesão entre parágrafosParágrafos isolados, sem conectivo entre eles
VProposta de intervençãoFaltar agente, meio ou detalhamento na proposta

O que zera a redação, independente da competência

Existem situações que zeram o texto inteiro, não uma competência isolada: fuga total ao tema, não seguir o formato dissertativo-argumentativo, texto com menos de 7 linhas, cópia integral dos textos motivadores e desrespeito aos direitos humanos. O panorama completo dessas situações está em erros que zeram a redação, vale revisar antes da prova para não cair em nenhuma delas por descuido.

Como treinar cada competência separadamente

Ao revisar seu próprio texto, separe por competência

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Trabalhar a redação por competência, em vez de escrever o texto inteiro e só depois procurar erro no geral, deixa o treino mais objetivo. Vale entender também como isso se encaixa na estrutura do texto como um todo, em estrutura da redação dissertativa-argumentativa, já que competência e estrutura caminham juntas na hora de escrever.

Perguntas frequentes

Quantos pontos vale cada competência da redação do Enem?
Cada uma das 5 competências vale de 0 a 200 pontos, avaliados por dois corretores independentes. A nota final da redação é a média entre os dois corretores, podendo chegar a 1.000 pontos no total.
Qual competência da redação do Enem costuma tirar mais pontos?
Não há uma resposta única, depende do perfil de cada participante, mas repertório genérico na Competência II e proposta de intervenção incompleta na Competência V são erros comuns e fáceis de evitar com revisão específica antes da prova.
O que é repertório sociocultural na redação do Enem?
É a referência a dado, lei, obra, autor ou fato histórico usada para sustentar o argumento. Ela só soma ponto de verdade na Competência II quando está explicada e ligada diretamente ao tema, não apenas citada de forma solta e genérica.
Dá para tirar 1.000 na redação do Enem?
É possível, embora raro; a cartilha do Inep traz exemplos de redações que alcançaram a nota máxima em edições anteriores. O caminho mais realista é treinar cada competência separadamente, corrigindo os erros mais recorrentes antes de buscar o texto perfeito.

Na próxima redação que você escrever, não corrija tudo de uma vez: releia o texto cinco vezes, uma para cada competência, procurando só o erro daquela competência específica. Isso demora um pouco mais no treino, mas ensina a enxergar o próprio erro por categoria, que é exatamente como o corretor vai avaliar o seu texto na prova. Guarde também as redações antigas corrigidas assim: comparar o mesmo tipo de erro entre um treino e outro mostra se a competência mais fraca está mesmo melhorando ou só parecendo melhor porque o tema mudou.

Marcelo Moreira

Fundador do GaussEdu

Fundador do GaussEdu. Escreve sobre método de estudo, rotina e preparação para o ENEM, vestibulares, escolas militares e concursos públicos.

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