As 5 competências da redação do Enem explicadas
A redação do Enem vale até 1.000 pontos, divididos em 5 competências de 0 a 200 cada, e cada uma cobra um erro diferente de quem escreve.
- São 5 competências, cada uma valendo de 0 a 200 pontos, somando até 1.000 pontos na redação.
- Cada competência cobra um erro específico: gramática, entendimento do tema, organização, coesão ou proposta de intervenção.
- A cartilha do Inep para 2026 alerta contra "repertório de bolso": citação genérica, sem ligação real com o tema, pesa contra a Competência II.
Cada redação é corrigida por dois avaliadores, de forma independente, e a nota final é a média entre eles. Segundo a cartilha do participante publicada pelo Inep, essa matriz de 5 competências é a mesma desde 2009 e vale também para o Enem 2026. Entender o que cada uma cobra, separadamente, é mais útil do que tentar escrever "bonito" de forma genérica.
Competência I: domínio da escrita formal
Essa competência avalia ortografia, acentuação, concordância, pontuação e uso de vocabulário adequado ao registro formal. Não é sobre escrever difícil, é sobre escrever sem erro que atrapalhe a leitura. Erro de concordância verbal ("os problema persiste"), vírgula separando sujeito do verbo, ou uso de gíria e linguagem de internet tiram ponto direto aqui, mesmo que o argumento do parágrafo esteja correto.
Imagine um trecho assim: "A situação da mobilidade urbana no brasil é preocupante, pois as pessoas não tem acesso a transporte de qualidade." O "b" minúsculo em Brasil e a concordância errada em "as pessoas não tem" (o correto é "têm") são exatamente o tipo de deslize que essa competência penaliza, mesmo com a ideia clara.
Competência II: entender o tema e desenvolver o texto
Aqui entra a compreensão da proposta e a aplicação de conceitos de várias áreas do conhecimento para desenvolver o tema dentro da estrutura dissertativo-argumentativa. É nessa competência que entra também o uso do repertório sociocultural: dado, referência histórica, citação de autor, lei, mas usado com ligação real ao argumento, não jogado na frase para preencher espaço.
A cartilha do Inep para 2026 chama atenção justamente para esse ponto: cita o risco do que chama de "repertório de bolso", referência pronta e memorizada usada de forma genérica, sem conexão real com o tema proposto. Se o tema fosse, por exemplo, sobre acesso à leitura no Brasil, citar um filósofo grego sem explicar a ligação direta com esse problema específico cai nesse erro.
Competência III: organizar os argumentos
Essa competência avalia se você seleciona, relaciona, organiza e interpreta informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista, dentro da estrutura do texto dissertativo-argumentativo. O erro mais comum aqui é misturar dois argumentos diferentes no mesmo parágrafo, ou repetir a mesma ideia com palavras diferentes em parágrafos separados, sem avançar o raciocínio. Cada parágrafo de desenvolvimento precisa defender uma ideia própria, ligada à tese, sem se sobrepor ao parágrafo anterior.
Competência IV: coesão entre as partes do texto
Aqui entram os conectivos, operadores argumentativos e elementos que ligam frases e parágrafos: "além disso", "por outro lado", "nesse sentido", pronomes que retomam algo já dito. Um texto pode ter argumento bom e ainda perder ponto aqui se os parágrafos parecerem blocos isolados, sem transição que amarre um ao outro. Repetir sempre o mesmo conectivo ("além disso" em todo parágrafo) também pesa contra essa competência, porque mostra repertório linguístico limitado.
Competência V: a proposta de intervenção
A última competência avalia a proposta de intervenção para o problema discutido no texto, com ação, agente responsável, meio de execução e efeito pretendido, sempre respeitando os direitos humanos. É a competência mais fácil de perder pontos por pressa, porque fica no último parágrafo, quando o tempo de prova já está apertado. O funcionamento completo, com os cinco elementos exigidos, está detalhado em proposta de intervenção.
| Competência | O que avalia | Erro comum que tira ponto |
|---|---|---|
| I | Domínio da escrita formal | Erro de concordância, pontuação, gíria |
| II | Compreensão do tema e repertório | Fugir do tema, repertório genérico sem ligação |
| III | Organização dos argumentos | Misturar dois argumentos no mesmo parágrafo |
| IV | Coesão entre parágrafos | Parágrafos isolados, sem conectivo entre eles |
| V | Proposta de intervenção | Faltar agente, meio ou detalhamento na proposta |
O que zera a redação, independente da competência
Existem situações que zeram o texto inteiro, não uma competência isolada: fuga total ao tema, não seguir o formato dissertativo-argumentativo, texto com menos de 7 linhas, cópia integral dos textos motivadores e desrespeito aos direitos humanos. O panorama completo dessas situações está em erros que zeram a redação, vale revisar antes da prova para não cair em nenhuma delas por descuido.
Como treinar cada competência separadamente
Ao revisar seu próprio texto, separe por competência
Trabalhar a redação por competência, em vez de escrever o texto inteiro e só depois procurar erro no geral, deixa o treino mais objetivo. Vale entender também como isso se encaixa na estrutura do texto como um todo, em estrutura da redação dissertativa-argumentativa, já que competência e estrutura caminham juntas na hora de escrever.
Perguntas frequentes
Quantos pontos vale cada competência da redação do Enem?
Qual competência da redação do Enem costuma tirar mais pontos?
O que é repertório sociocultural na redação do Enem?
Dá para tirar 1.000 na redação do Enem?
Na próxima redação que você escrever, não corrija tudo de uma vez: releia o texto cinco vezes, uma para cada competência, procurando só o erro daquela competência específica. Isso demora um pouco mais no treino, mas ensina a enxergar o próprio erro por categoria, que é exatamente como o corretor vai avaliar o seu texto na prova. Guarde também as redações antigas corrigidas assim: comparar o mesmo tipo de erro entre um treino e outro mostra se a competência mais fraca está mesmo melhorando ou só parecendo melhor porque o tema mudou.
Marcelo Moreira
Fundador do GaussEdu. Escreve sobre método de estudo, rotina e preparação para o ENEM, vestibulares, escolas militares e concursos públicos.