Vestibular da Unicamp: como estudar e o que muda em relação ao Enem
Questões interdisciplinares, redação em gêneros variados e uma lista de obras cobrada nas duas fases: veja o que muda ao estudar para a Unicamp.
- A primeira fase da Unicamp tem 72 questões objetivas, com boa parte delas interdisciplinares.
- A redação pede gêneros variados, não só o dissertativo-argumentativo comum em outros vestibulares.
- As obras de leitura obrigatória aparecem tanto na primeira quanto na segunda fase, então a leitura tem que estar pronta antes da 1ª fase.
Quem estuda só pensando no Enem tende a treinar cada matéria isolada, questão por questão de uma disciplina só. Isso não prepara totalmente para a Unicamp, onde uma mesma questão pode juntar geografia e história, ou biologia e química, na mesma pergunta. Vale entender essa diferença antes de montar o plano de estudo, para não repetir o mesmo método que funciona no Enem sem ajuste nenhum.
Como é a primeira fase
Segundo cobertura da própria Unicamp sobre a aplicação da primeira fase do vestibular, a prova tem 72 questões de múltipla escolha, cada uma valendo um ponto, com quatro alternativas de resposta, cobrindo português e literaturas de língua portuguesa, matemática, história, geografia, filosofia, sociologia, física, química, biologia e inglês. O tempo máximo é de cinco horas, com permanência mínima de duas horas em sala.
Questões interdisciplinares: o que muda no jeito de estudar
Como parte considerável das questões junta mais de uma disciplina no mesmo enunciado, estudar cada matéria isolada, sem nunca conectar os assuntos, deixa uma lacuna que só aparece na hora da prova. Eu recomendo, na revisão, montar listas mistas de questões de disciplinas diferentes sobre um mesmo tema (por exemplo, questões de história e geografia sobre o mesmo período), em vez de treinar sempre uma matéria isolada por bloco. Essa prática tem nome, interleaving, e ajuda justamente a fixar conexões entre assuntos que a Unicamp gosta de cobrar juntos.
Segunda fase: discursivas agrupadas por curso
A prova de redação acontece no primeiro dia da segunda fase, junto com Português, Inglês e Ciências Humanas; nos dias seguintes entram as disciplinas específicas agrupadas conforme o curso escolhido. Isso muda o volume de estudo conforme a carreira: quem vai para Exatas foca mais em Matemática e Física na segunda fase, quem vai para Humanas foca mais nas discursivas de Português, História e Geografia.
Redação: por que treinar mais de um gênero
Diferente de vestibulares que cobram sempre o mesmo formato dissertativo-argumentativo, a Unicamp costuma variar o gênero textual pedido na redação, o que exige preparo em mais de um tipo de texto. Treinar só dissertação deixa você despreparado se a prova pedir carta, texto de opinião em outro formato ou narrativa ligada ao tema. Fazer pelo menos uma redação por semana, alternando gêneros, é mais produtivo do que repetir sempre o mesmo modelo.
Livros obrigatórios: leitura antes da primeira fase
As obras de leitura obrigatória da Unicamp aparecem tanto na primeira quanto na segunda fase, então adiar a leitura para depois de passar na primeira fase é uma aposta arriscada: você chega despreparado para as questões sobre livros já na etapa objetiva. A lista muda a cada edição e costuma incluir romances, contos e até músicas; confira a lista vigente no site da Comvest com antecedência e distribua a leitura ao longo dos meses, não nas últimas semanas.
Ler rápido não é a mesma coisa que ler bem para esse tipo de prova. As questões da Unicamp sobre as obras cobram contexto histórico do autor, tema central e detalhes de personagens e enredo, não só se você reconhece o título. A técnica de leitura ativa ajuda aqui: parar a cada capítulo para responder de cabeça o que aconteceu, sem reler o trecho, é o que faz o conteúdo do livro ficar disponível na hora da prova, meses depois da leitura ter acontecido.
Vale também manter um fichamento curto de cada obra, com o essencial: contexto do autor, resumo do enredo em poucas linhas, dois ou três temas centrais e uma citação marcante. Esse fichamento é o que você revisa na semana antes da prova, em vez de reler o livro inteiro de novo, o que raramente cabe na agenda de quem também está revisando as outras disciplinas.
Unicamp x Fuvest: pontos em comum e diferenças
| Ponto | Unicamp | Fuvest |
|---|---|---|
| Nº de questões na 1ª fase | 72 | 90 |
| Questões interdisciplinares na 1ª fase | Presentes com frequência | Menos frequentes, por disciplina |
| Gêneros de redação | Costuma variar | Também tem variado nas últimas edições |
| Livros obrigatórios | Cobrados nas duas fases | Cobrados nas duas fases |
Quem está se preparando para os dois vestibulares ao mesmo tempo, como costuma acontecer com quem mora em São Paulo, pode aproveitar boa parte do mesmo estudo de conteúdo; o que muda é treinar interdisciplinaridade para a Unicamp e volume maior de questões objetivas para a Fuvest. Se esse é o seu caso, vale ler também como estudar para a Fuvest para comparar o plano das duas provas lado a lado.
Antes da primeira fase da Unicamp, confira
Perguntas frequentes
A prova da Unicamp é parecida com a do Enem?
Preciso ler todas as obras obrigatórias da Unicamp?
Quantas questões tem a primeira fase da Unicamp?
A redação da Unicamp sempre pede dissertação argumentativa?
Para quem estuda para a Unicamp, o ajuste mais prático a fazer agora é incluir questões interdisciplinares na revisão semanal e começar a leitura obrigatória com fichamento, se ainda não começou: são os dois pontos que mais diferem do estudo padrão para o Enem e que custam caro deixar para depois. Some a isso uma redação por semana em gênero variado e você chega à primeira fase sem os três pontos cegos mais comuns de quem só treinou no formato do Enem.
Marcelo Moreira
Fundador do GaussEdu. Escreve sobre método de estudo, rotina e preparação para o ENEM, vestibulares, escolas militares e concursos públicos.