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Vestibular da Unicamp: como estudar e o que muda em relação ao Enem

Questões interdisciplinares, redação em gêneros variados e uma lista de obras cobrada nas duas fases: veja o que muda ao estudar para a Unicamp.

Por Marcelo MoreiraPublicado em 28 de setembro de 20264 minutos de leitura
Foto: Unsplash
Foto: Unsplash
Em resumo
  • A primeira fase da Unicamp tem 72 questões objetivas, com boa parte delas interdisciplinares.
  • A redação pede gêneros variados, não só o dissertativo-argumentativo comum em outros vestibulares.
  • As obras de leitura obrigatória aparecem tanto na primeira quanto na segunda fase, então a leitura tem que estar pronta antes da 1ª fase.
O vestibular da Unicamp, organizado pela Comvest, tem uma primeira fase de 72 questões objetivas com boa parte interdisciplinar, e uma segunda fase com discursivas agrupadas por curso e redação em gêneros variados. A diferença mais marcante em relação ao Enem é essa: a Unicamp mistura disciplinas dentro da mesma questão e cobra escrita em formatos que fogem do modelo único dissertativo-argumentativo.

Quem estuda só pensando no Enem tende a treinar cada matéria isolada, questão por questão de uma disciplina só. Isso não prepara totalmente para a Unicamp, onde uma mesma questão pode juntar geografia e história, ou biologia e química, na mesma pergunta. Vale entender essa diferença antes de montar o plano de estudo, para não repetir o mesmo método que funciona no Enem sem ajuste nenhum.

Como é a primeira fase

Segundo cobertura da própria Unicamp sobre a aplicação da primeira fase do vestibular, a prova tem 72 questões de múltipla escolha, cada uma valendo um ponto, com quatro alternativas de resposta, cobrindo português e literaturas de língua portuguesa, matemática, história, geografia, filosofia, sociologia, física, química, biologia e inglês. O tempo máximo é de cinco horas, com permanência mínima de duas horas em sala.

Questões interdisciplinares: o que muda no jeito de estudar

Como parte considerável das questões junta mais de uma disciplina no mesmo enunciado, estudar cada matéria isolada, sem nunca conectar os assuntos, deixa uma lacuna que só aparece na hora da prova. Eu recomendo, na revisão, montar listas mistas de questões de disciplinas diferentes sobre um mesmo tema (por exemplo, questões de história e geografia sobre o mesmo período), em vez de treinar sempre uma matéria isolada por bloco. Essa prática tem nome, interleaving, e ajuda justamente a fixar conexões entre assuntos que a Unicamp gosta de cobrar juntos.

Segunda fase: discursivas agrupadas por curso

A prova de redação acontece no primeiro dia da segunda fase, junto com Português, Inglês e Ciências Humanas; nos dias seguintes entram as disciplinas específicas agrupadas conforme o curso escolhido. Isso muda o volume de estudo conforme a carreira: quem vai para Exatas foca mais em Matemática e Física na segunda fase, quem vai para Humanas foca mais nas discursivas de Português, História e Geografia.

Redação: por que treinar mais de um gênero

Diferente de vestibulares que cobram sempre o mesmo formato dissertativo-argumentativo, a Unicamp costuma variar o gênero textual pedido na redação, o que exige preparo em mais de um tipo de texto. Treinar só dissertação deixa você despreparado se a prova pedir carta, texto de opinião em outro formato ou narrativa ligada ao tema. Fazer pelo menos uma redação por semana, alternando gêneros, é mais produtivo do que repetir sempre o mesmo modelo.

Livros obrigatórios: leitura antes da primeira fase

As obras de leitura obrigatória da Unicamp aparecem tanto na primeira quanto na segunda fase, então adiar a leitura para depois de passar na primeira fase é uma aposta arriscada: você chega despreparado para as questões sobre livros já na etapa objetiva. A lista muda a cada edição e costuma incluir romances, contos e até músicas; confira a lista vigente no site da Comvest com antecedência e distribua a leitura ao longo dos meses, não nas últimas semanas.

Ler rápido não é a mesma coisa que ler bem para esse tipo de prova. As questões da Unicamp sobre as obras cobram contexto histórico do autor, tema central e detalhes de personagens e enredo, não só se você reconhece o título. A técnica de leitura ativa ajuda aqui: parar a cada capítulo para responder de cabeça o que aconteceu, sem reler o trecho, é o que faz o conteúdo do livro ficar disponível na hora da prova, meses depois da leitura ter acontecido.

Vale também manter um fichamento curto de cada obra, com o essencial: contexto do autor, resumo do enredo em poucas linhas, dois ou três temas centrais e uma citação marcante. Esse fichamento é o que você revisa na semana antes da prova, em vez de reler o livro inteiro de novo, o que raramente cabe na agenda de quem também está revisando as outras disciplinas.

Unicamp x Fuvest: pontos em comum e diferenças

PontoUnicampFuvest
Nº de questões na 1ª fase7290
Questões interdisciplinares na 1ª fasePresentes com frequênciaMenos frequentes, por disciplina
Gêneros de redaçãoCostuma variarTambém tem variado nas últimas edições
Livros obrigatóriosCobrados nas duas fasesCobrados nas duas fases

Quem está se preparando para os dois vestibulares ao mesmo tempo, como costuma acontecer com quem mora em São Paulo, pode aproveitar boa parte do mesmo estudo de conteúdo; o que muda é treinar interdisciplinaridade para a Unicamp e volume maior de questões objetivas para a Fuvest. Se esse é o seu caso, vale ler também como estudar para a Fuvest para comparar o plano das duas provas lado a lado.

Antes da primeira fase da Unicamp, confira

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Perguntas frequentes

A prova da Unicamp é parecida com a do Enem?
Só parcialmente. As duas cobram conteúdo do ensino médio, mas a Unicamp mistura disciplinas na mesma questão com frequência maior e tem uma segunda fase inteiramente discursiva, algo que o Enem não tem.
Preciso ler todas as obras obrigatórias da Unicamp?
Sim, porque elas aparecem tanto na primeira quanto na segunda fase, em questões de literatura e às vezes interdisciplinares. Pular a leitura tira pontos que outros candidatos vão garantir só com tempo de leitura.
Quantas questões tem a primeira fase da Unicamp?
A primeira fase tem 72 questões objetivas de múltipla escolha, cobrindo as principais disciplinas do ensino médio, com boa parte interdisciplinar. O tempo máximo de prova é de cinco horas.
A redação da Unicamp sempre pede dissertação argumentativa?
Não necessariamente. A Unicamp tem cobrado gêneros textuais variados na redação, então vale treinar mais de um formato de escrita, além do dissertativo-argumentativo tradicional.

Para quem estuda para a Unicamp, o ajuste mais prático a fazer agora é incluir questões interdisciplinares na revisão semanal e começar a leitura obrigatória com fichamento, se ainda não começou: são os dois pontos que mais diferem do estudo padrão para o Enem e que custam caro deixar para depois. Some a isso uma redação por semana em gênero variado e você chega à primeira fase sem os três pontos cegos mais comuns de quem só treinou no formato do Enem.

Marcelo Moreira

Fundador do GaussEdu

Fundador do GaussEdu. Escreve sobre método de estudo, rotina e preparação para o ENEM, vestibulares, escolas militares e concursos públicos.

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