Como estudar para a Fuvest: primeira e segunda fase
Uma prova de conhecimentos gerais filtra quem avança para as discursivas e a redação; veja como estudar para cada etapa da Fuvest sem se perder no meio do caminho.
- A primeira fase da Fuvest tem 90 questões objetivas de todas as áreas, em prova única de 5 horas.
- Quem passa disputa a segunda fase, com questões discursivas específicas por curso, redação e uma lista de livros obrigatórios.
- A Fuvest cobra interpretação e escrita de forma mais direta que o Enem; estudar só para múltipla escolha não é suficiente.
A diferença mais importante em relação ao Enem é o formato: a Fuvest cobra questões discursivas de verdade, em que você escreve a resposta e justifica o raciocínio, não só marca a alternativa certa. Isso muda a forma de estudar desde o primeiro dia, porque treinar exercício de múltipla escolha sozinho não prepara para escrever uma resposta completa sob o olhar de um corretor.
Como é a primeira fase
A primeira fase é composta por 90 questões objetivas de cinco alternativas cada, cobrindo as áreas fundamentais do ensino médio: Português, Literatura, Matemática, História, Geografia, Inglês, Biologia, Química e Física, conforme mostram as provas publicadas no próprio site da Fuvest. A prova acontece em um único dia, com cinco horas de duração, e serve como filtro: só quem atinge a nota de corte daquela edição avança para a segunda fase.
Como é a segunda fase
A segunda fase acontece em dois dias e muda o formato: em vez de marcar alternativa, você escreve a resposta. No primeiro dia entram questões discursivas de Português, além da redação; no segundo dia, questões discursivas das disciplinas específicas do curso escolhido, entre duas e quatro matérias, dependendo da carreira. Confirme o número exato de questões e a distribuição por curso no guia de provas oficial da Fuvest antes de fechar seu plano de estudo, porque o formato costuma sofrer pequenos ajustes de uma edição para outra.
Redação: mais do que dissertativo-argumentativo
A Fuvest tem experimentado exigir mais de um gênero textual na prova de redação, além do tradicional texto dissertativo-argumentativo, cobrando às vezes carta, texto narrativo ou outro formato ligado ao tema da prova. Isso pega de surpresa quem só treinou o modelo clássico de redação de vestibular; vale treinar pelo menos uma vez cada gênero que já apareceu em provas anteriores, disponíveis no site da Fuvest, para não travar se o formato pedido for diferente do que você ensaiou.
Livros obrigatórios: quando começar a ler
A lista de leituras obrigatórias muda por edição e costuma ser divulgada com bastante antecedência no site da Fuvest. Eu recomendo começar a ler essas obras assim que a lista sair, num ritmo de um livro por mês, em vez de deixar para os últimos dois meses antes da prova: além da leitura em si, você precisa de tempo para fazer fichamento, entender o contexto histórico de cada autor e revisar antes da prova, porque essas obras aparecem tanto na primeira quanto na segunda fase.
Um plano de estudo por fase
| Período antes da prova | Foco principal |
|---|---|
| 6 a 4 meses antes | Conteúdo das nove áreas da primeira fase + início da leitura obrigatória |
| 4 a 2 meses antes | Questões da primeira fase de provas anteriores, cronometradas, + primeiras redações |
| 2 meses antes até a 1ª fase | Simulados completos da primeira fase, revisão de erros, fichamento fechado dos livros |
| Entre a 1ª e a 2ª fase | Só as disciplinas específicas do curso escolhido, questões discursivas, redação semanal |
Se o seu tempo até a prova for curto, eu não distribuiria esforço igual entre as nove áreas da primeira fase: gramática e interpretação de texto valem sempre, em qualquer curso, então priorizo isso e Matemática básica antes das áreas mais específicas de cada curso, que pesam mais na segunda fase. Para organizar isso numa rotina de verdade, o cronograma de estudos ajuda a distribuir o tempo sem deixar nenhuma matéria zerada.
Treinar a escrita para as discursivas
- Resolva questões discursivas de provas anteriores por escrito, não mentalmente: o corretor avalia o que está no papel, não o que você pensou.
- Peça para alguém ler sua resposta sem saber a pergunta; se a resposta não fizer sentido isolada, ela provavelmente está incompleta.
- Treine responder em poucas linhas quando a questão pedir isso: alongar demais uma resposta objetiva também perde ponto.
- Revise a ortografia e a gramática nas discursivas com o mesmo cuidado que na redação; erro de português conta contra em qualquer disciplina.
Antes da primeira fase, confira
Perguntas frequentes
A Fuvest é mais difícil que o Enem?
Preciso ler todos os livros obrigatórios da Fuvest?
Quantas questões tem a segunda fase da Fuvest?
Posso estudar para a Fuvest sozinho, sem cursinho?
O que difere um candidato de USP de outro que trava na segunda fase
Na minha leitura, quem trava na segunda fase da Fuvest quase sempre fez o mesmo tipo de erro na preparação: concentrou o esforço inteiro na primeira fase, porque ela parece mais palpável de estudar (questão certa ou errada, gabarito fechado), e deixou a escrita para depois. O problema é que treinar discursiva e redação exige repetição ao longo de meses, não de semanas; não dá para compensar isso na reta final entre as duas fases, que costuma durar poucas semanas.
Eu recomendo escrever pelo menos uma resposta discursiva por semana desde o início da preparação, mesmo estudando ainda para a primeira fase, porque essa prática precisa de tempo para amadurecer. Quem começa a treinar discursiva só depois de passar na primeira fase costuma ter pouquíssimas semanas para isso, o que é apertado até para quem escreve bem.
Se a prova da Fuvest está no seu horizonte, comece pela leitura obrigatória e por um simulado cronometrado da primeira fase esta semana: isso mostra, de forma concreta, qual área está mais distante do necessário e evita que você chegue aos dois últimos meses ainda decidindo por onde comecar. Comece também a escrever uma resposta discursiva por semana desde já, ainda que a segunda fase pareça distante.
Marcelo Moreira
Fundador do GaussEdu. Escreve sobre método de estudo, rotina e preparação para o ENEM, vestibulares, escolas militares e concursos públicos.