Pular para o conteúdo
VestibularesGuia prático

Fies: como funciona o financiamento e quando vale a pena

Juros que variam com a renda, pagamento simbólico durante o curso e parcelamento longo depois de formado: veja como o Fies funciona antes de assinar o contrato.

Por Marcelo MoreiraPublicado em 28 de setembro de 20264 minutos de leitura
Foto: Unsplash
Foto: Unsplash
Em resumo
  • O Fies exige renda familiar bruta por pessoa de até 3 salários mínimos para a maior parte das vagas.
  • Durante o curso você paga só um valor simbólico trimestral; a dívida de verdade começa depois da formatura.
  • Os juros variam por faixa de renda; quanto menor a renda per capita, menor a taxa, chegando a zero na faixa mais baixa.
O Fies é o financiamento estudantil do governo federal para pagar a faculdade particular, usando parte da nota do Enem como critério de seleção. Você estuda agora e paga depois, com juros que dependem da sua faixa de renda familiar por pessoa: quem ganha menos paga menos juros, podendo chegar a taxa zero na faixa mais baixa.

A diferença central em relação ao ProUni é essa: o ProUni dá bolsa, sem dívida; o Fies financia, e você paga depois de formado. Isso não torna um melhor que o outro por definição, mas muda completamente a decisão: o Fies é um empréstimo com juros mais baixos que o de banco comum, não um dinheiro que você não precisa devolver.

Quem pode pedir o Fies

Segundo o serviço oficial de obtenção do Fies no portal gov.br, para obter o financiamento é preciso comprovar renda familiar bruta mensal por pessoa de até três salários mínimos, além de ter participado do Enem usado como referência com nota mínima definida em edital e não ter zerado a redação. O curso escolhido precisa ser em instituição particular reconhecida pelo MEC e ter vaga disponível para financiamento naquele processo seletivo.

Fies Social: a faixa de renda mais baixa

Dentro do Fies, existe uma reserva de vagas chamada Fies Social, voltada a quem tem renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo e está inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Quem se encaixa nessa faixa pode financiar até 100% dos encargos educacionais, com as condições de pagamento mais vantajosas do programa.

Como funcionam os juros por faixa de renda

Renda familiar por pessoaTaxa de juros ao ano (referência)
Até 1 salário mínimo per capita0% (taxa zero)
De 1 a 3 salários mínimos per capita4,5%
P-Fies: até 5 salários mínimos per capitaVaria por agente financeiro, com teto de 6,5%

Confirme a taxa vigente no edital do semestre em que for se inscrever, porque esses percentuais são revisados periodicamente. O ponto importante para decidir é o formato: quanto menor a renda familiar por pessoa, menor a taxa de juros do financiamento, o que muda bastante o valor final pago ao longo dos anos.

O que você paga durante o curso

Enquanto está estudando, na chamada fase de utilização, o estudante paga trimestralmente um valor simbólico (até R$ 150, reajustado a cada ano), que não abate a dívida: ele só mantém o contrato ativo. É comum quem nunca fez Fies se assustar pensando que vai pagar mensalidade cheia durante a faculdade; não é o caso, o valor cheio começa só depois da formatura.

O que muda depois da formatura

Terminado o curso, começa a fase de pagamento do financiamento propriamente dito: o valor total que a instituição recebeu ao longo dos semestres, mais os juros acumulados, dividido em parcelas que podem se estender por até 18 anos, conforme as regras vigentes no seu contrato. Pagamento antecipado é permitido, sem multa, com desconto proporcional dos juros que ainda não venceram.

Fies, ProUni ou economizar para pagar a faculdade: como decidir

  • Se sua renda por pessoa está dentro do limite do ProUni e sua nota alcança o mínimo exigido, o ProUni costuma valer mais a pena: é bolsa, sem dívida futura.
  • Se você não se encaixa no ProUni mas tem renda até 3 salários mínimos per capita, o Fies é uma alternativa a juros mais baixos que financiamento bancário comum.
  • Se sua renda é mais alta e não se encaixa em nenhum dos dois, vale comparar mensalidade cheia, desconto direto da instituição e financiamento privado antes de decidir.
  • Em qualquer caso, calcule o valor total que você vai pagar em anos de parcela, não só a mensalidade mensal durante o curso: é aí que o financiamento costuma pesar mais do que parece no início.

Documentação e prazos

A inscrição é feita pelo portal Acesso Único, em janelas específicas divulgadas em edital a cada semestre, geralmente logo após o resultado do Enem usado como referência. Depois da pré-seleção, é preciso completar a inscrição com documentos de renda e identificação, e formalizar o contrato com o agente financeiro dentro do prazo, sob risco de perder a vaga para o próximo da lista. Assim como no Sisu, quem não organiza a documentação com antecedência costuma perder a vaga por prazo, não por nota.

Antes de assinar o contrato do Fies, confira

0 de 4 concluídos

Perguntas frequentes

O Fies cobre 100% da faculdade?
Depende da faixa de renda e da modalidade de contratação. O Fies Social, para a renda mais baixa junto ao CadÚnico, pode cobrir até 100% dos encargos educacionais; nas outras faixas, o percentual financiado varia conforme o edital e o agente financeiro.
Preciso pagar alguma coisa enquanto estudo com Fies?
Sim, um valor simbólico trimestral, reajustado anualmente, que serve para manter o contrato ativo mas não abate a dívida. O pagamento das mensalidades financiadas de verdade começa somente depois da formatura.
Posso trocar de curso ou instituição com o Fies já contratado?
As regras de transferência variam por edital e exigem análise específica do agente financeiro, geralmente sem garantia de manutenção das mesmas condições. Antes de contratar, é melhor ter certeza do curso e da instituição.
Fies e ProUni podem ser usados juntos?
Não para o mesmo curso e período: você escolhe um dos dois para aquela vaga. Nada impede, porém, se inscrever nos dois processos seletivos e decidir depois de ver os resultados, conforme sua renda se encaixe em cada um.

Antes de contratar, simule o valor total da dívida com a taxa de juros da sua faixa de renda e compare com o que você pagaria de mensalidade cheia sem financiamento; essa conta, feita com calma, é o que evita assinar um contrato de anos por não ter olhado o número certo. Se a sua renda também se encaixa no ProUni, faça essa comparação antes de qualquer coisa. E se o dinheiro para pagar cursinho está entrando nessa decisão, vale ler também cursinho ou estudar sozinho antes de fechar o orçamento todo em torno da faculdade.

Marcelo Moreira

Fundador do GaussEdu

Fundador do GaussEdu. Escreve sobre método de estudo, rotina e preparação para o ENEM, vestibulares, escolas militares e concursos públicos.

Falar no WhatsApp
Fies: como funciona o financiamento e quando vale a pena | Blog GaussEdu